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Solidão e Saudade, companheiras nas ruas

  • 13 de fev.
  • 2 min de leitura

Uma das grandes vantagens do Jornalismo é poder usar a ferramenta da comunicação para conhecer lugares, histórias e pessoas.


No dia 12 de fevereiro de 2025, a minha ida a Rodoviária Gov. José Rollemberg Leite ou Rodoviária Nova, em Aracaju, tinha como objetivo retratar o desenrolar das investigações de um espancamento cometido por dois funcionários da Socicam, empresa que administra o local, contra um homem em situação de rua naquele local, dias antes.


Enquanto me preparava para entrar no ar, uma jovem negra, sorridente, estava bem a minha frente e a concentração dela chamava a atenção ao escrever com um lápis de grafite em uma folha de papel ofício. Ao lado apenas sacos de lixo com alguns pertences e latas de alumínio.

Fui me aproximando dela, puxei conversa e logo parecíamos velhos conhecidos. Rosineide, de 46 anos, se não estou enganado (minha memória sempre me passa pra trás), disse que era de Indiaroba, cidade da Região Sul de Sergipe, e que tinha uma casa em Nossa Senhora do Socorro.


Ela disse que morava com a mãe, mas depois da morte dela - que tinha vários problemas de saúde, entre eles insuficiência renal - passou a situação de rua já que os irmãos travavam uma briga por causa da herança.


A última vez que esteve em casa foi em outubro para votar e desde então não voltou mais. Acreditava que no próximo mês daria uma nova passada por lá.


- Tenho medo de ficar em casa sozinha.


Declarou com um sorriso no rosto. Foi quando pedi a autorização para gravar pelo celular a carta que estava com a data errada, 22 de fevereiro, e trazia várias inscrições como: o Salmo 91; nomes de pessoas com o mesmo sobrenome, inclusive o dela, acompanhados com da palavra "ofinanceiro".


Precisei voltar para entrar ao vivo no telejornal e ela continuou escrevendo. Pouco tempo depois, recebeu um lanche de um taxista, agradeceu com mais um sorriso e devorou a comida.


Precisava deixar o local pra fazer uma nova entrada no jornal de outro ponto da cidade. Aproximei-me dela e me despedi.


Àquela mulher falava de saudade, escrevia nomes de pessoas que não via há um bom tempo, voltava nas memórias e devagava em uma conversa típica de quem precisa de atenção a saúde mental.

 
 
 

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