Homem espancado em rodoviária de Aracaju busca Hemose para doar sangue
- 27 de fev.
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Transformar a dor em AMOR. Característica inerente às pessoas altruístas que assim como a vela deixam-se consumir pouco a pouco em prol do outro. Entrega típica de quem ama. E não importa se as marcas das dores ainda persistem no corpo e na alma de Alex Sandro Costa Santiago, 51 anos, natural de São Paulo, desempregado, vivendo longe da família, sem um lar e há cinco anos em situação de rua na capital de Sergipe.
Alex Sandro é o homem que na noite de 8 de fevereiro de 2025 foi covardemente espancado por seguranças da empresa Socicam, responsável pela administração do Terminal Rodoviário Governador José Rollemberg Leite ou Rodoviária Nova, em Aracaju. O pecado dele? Pedir dinheiro aos passageiros que aguardavam o embarque. Nesta quinta-feira, 27 de fevereiro, 19 dias após a barbárie, ele estava no grupo das 10 pessoas (nove atendidos e um cuidador social) da Casa de Passagem Freitas Brandão que foi doar sangue no Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose). Um gesto simples, de amor que se multiplica.
"Uma vez estive aqui no Hospital João Alves e passei tomar sangue por causa de uma cirurgia. Eu acho que fazer o bem para outra pessoa é agradável, ter o sentimento de ter ajudado ao próximo. Sairei com o sentimento que ajudei alguém, que está no hospital precisando de sangue. Isso que é bom, é agradável. Saio com o coração cheio de alegria”, declarou Alex Sandro.
A vítima desse crime brutal e repugnante poderia ter alimentado o ódio e respondido à sociedade com a mesma intensidade causada pelo silenciamento, aporofobia e tamanha INJUSTIÇA. Porém, preferiu, sem dizer uma só palavra, transformar o discurso dos algozes em um GRITO repleto de ENTREGA.
A primeira doação de sangue dele só não aconteceu devido à grande quantidade de medicamentos que toma para curar os hematomas causados pela agressão. Mas nada diminui o gesto HERÓICO. Pelo contrário, serve de inspiração para você, eu e tantas outras pessoas à irem aos Centros de Hemoterapia espalhados pelo Brasil levar ESPERANÇA a tantas pessoas que aguardam as gotas de vida nas unidades de saúde.
Vale lembrar que quando o sangue é doado passa por um rigoroso processo de testagem e só então é enviado para aos pacientes internados nas unidades hospitalares de Sergipe. Cada bolsa pode ajudar até quatro pessoas na forma dos componentes: hemácias, plaquetas e plasma.
De acordo com o Centro de Hemoterapia de Sergipe – Hemose (hemose.se.gov.br) podem doar pessoas entre 16 e 69 anos de idade, acima de 50Kg, apresentando um documento com foto, válido em todo o território nacional. A doação não pode ser feita em jejum, sem o repouso mínimo de 6 horas na noite anterior, se ingerir bebida alcoólica há menos de 12 horas, se fumou 2 horas antes e se fez refeição com alimentos gordurosas nas três horas que antecederam a doação.

O Crime
Nas imagens gravadas por uma passageira, dá para observar o momento em que um dos agressores segura a vítima, enquanto o outro dá socos e cotoveladas em Alex Sandro. Depois de cair no chão, as agressões continuam com chutes e pisadas na cabeça e em outras partes do corpo. As imagens terminam com a vítima sendo puxada por uma das pernas. O vídeo tem apenas 11 segundos e não consta toda a ação.
Por nota, a Socicam disse que não compactua “com a violência e que a situação será averiguada internamente para avaliação das medidas cabíveis”. E que “os registros da unidade apontam que os funcionários do terminal foram acionados em decorrência da presença de um homem que estaria importunando passageiros na área de embarque. Após a abordagem, uma reação agressiva do homem resultou no confronto físico”.
No dia 20 de fevereiro, depois que a passageira que fez a filmagem desmentiu a nota da Socicam, a empresa emitiu um novo comunicado no qual disse que após apuração os funcionários foram desligados das funções e ‘estão permanentemente impedidos de atuar em qualquer um" dos empreendimentos dela.
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