Fome, desemprego e omissão dos gestores municipais
- 1 de jan.
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No Ano Novo e uma velha imagem, como tantas outras que serão registradas ao longo de 2025. Por volta das 14h, nas imediações do 28 Batalhão de Caçadores, no Bairro Dezoito do Forte, Zona Norte de Aracaju, um jovem homem revirava o lixo espalhado na calçada e em parte da rua à procura de material reciclável e até mesmo sobras de alimentos. Àquelas que horas antes compuseram as ceias dos moradores do condomínio ao lado.
O relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado em julho passado, aponta que 8,4 milhões de brasileiros passam fome. Cerca de “1/5 da população brasileira não teve acesso adequado à alimentação nos últimos três anos” (Estadão, 2024) e acabou buscando nestes espaços uma forma de sobrevivência.
Para os gestores reeleitos e os novos, já empossados nos 5.569 municípios brasileiros, a foto é um convite a repensar a forma de governar e planejar as políticas públicas. O registro também precisa ser encarado como uma interrupção na disseminação de ideias, como a emitida por um empresário, no dia 31 de dezembro, em uma emissora de rádio de Aracaju, culpando as pessoas que vivem na faixa de pobreza pelos problemas sociais do Estado, que na verdade os gestores não querem resolver.
Dizer que não querem trabalhar com Carteira Assinada por causa dos valores que recebem dos programas sociais, como o Bolsa Família, é no mínimo irresponsável, com a intensão de confundir a opinião pública. Justificando que isso resulta na suposta “falta de cozinheiros profissionais” no mercado sergipano. Mas, será que os salários e as condições de trabalho, ofertados aos candidatos ao cargo, são benéficos não só para o empresário, mas também para o empregador?
Ao que parece, como bem escreveu o sociólogo Jessé Souza: “desde que o mundo é mundo, faz-se necessário convencer de qualquer modo o oprimido de sua própria inferioridade. Sem o convencimento parcial ou total do próprio oprimido de que ele é inferior e deve, portanto, obedecer” (Souza, 2022, p.15).

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